Para muitas pessoas autistas adultas, comer pode ser um desafio diário.
Texturas, cheiros, temperaturas e até o som de certos alimentos podem gerar desconforto físico real — e isso não tem nada a ver com “frescura” ou “escolha”.
A seletividade alimentar é uma experiência comum no espectro, e aprender a lidar com ela com respeito e sem culpa é parte essencial do autocuidado e do autoconhecimento.
1. Entenda o que é seletividade alimentar no autismo
A seletividade alimentar ocorre quando uma pessoa tem dificuldades para aceitar determinados alimentos ou grupos de alimentos.
Ela pode estar ligada a:
- Hipersensibilidade sensorial (texturas, cheiros, sabores, sons);
- Experiências negativas com comida na infância;
- Ansiedade diante de novidades;
- Busca por controle em meio a um mundo imprevisível.
Comer algo novo pode ser, para um autista, uma experiência física e emocionalmente intensa.
2. Comer diferente não é comer errado
A cultura ao redor da alimentação impõe padrões muito rígidos sobre o que é “comer bem”.
Mas cada corpo e cada cérebro tem necessidades diferentes.
Se você tem um repertório alimentar limitado, mas está nutrido e funcional, está tudo bem.
Não se compare a pessoas que não vivem as mesmas experiências sensoriais que você.
3. Não transforme a comida em campo de batalha
Forçar-se a comer alimentos que causam repulsa ou desconforto pode gerar mais ansiedade e afastamento da alimentação saudável.
Em vez disso, o ideal é ir com calma.
Você pode, por exemplo:
- Explorar o cheiro ou o formato de um alimento novo antes de prová-lo;
- Misturar pequenas quantidades de algo diferente com o que já gosta;
- Testar versões com texturas mais agradáveis (ex.: purê, grelhado, cortado).
O progresso pode ser lento e gentil, e tudo bem assim.
4. Crie um ambiente seguro para comer
A refeição deve ser um momento de conforto, não de tensão.
Tente comer em um local tranquilo, sem barulhos excessivos ou luzes fortes.
Evite conversas estressantes na hora de comer — o corpo precisa estar relaxado para aceitar a comida.
5. Observe seus sinais corporais
Muitas pessoas autistas têm dificuldade em identificar fome e saciedade.
Tente observar como o corpo reage:
- Fraqueza ou tontura podem indicar fome;
- Estômago pesado ou desconforto indicam saciedade.
Aprender a reconhecer esses sinais ajuda a criar uma relação mais consciente e amorosa com a comida.
6. Busque orientação com profissionais que entendam o autismo
Se sentir necessidade, procure nutricionistas ou terapeutas ocupacionais especializados em neurodiversidade.
Eles podem ajudar a ampliar o repertório alimentar sem julgamento e respeitando suas preferências sensoriais.
O objetivo não é “normalizar”, mas encontrar equilíbrio dentro da sua realidade.
7. Evite a culpa — ela atrapalha mais do que ajuda
Sentir culpa por comer “sempre as mesmas coisas” ou não conseguir experimentar novos alimentos só aumenta a ansiedade.
A culpa bloqueia o aprendizado e o prazer.
Lembre-se: você está fazendo o seu melhor dentro das suas condições.
Isso já é autocuidado.
Comer bem é comer com respeito ao seu corpo
A alimentação não deve ser fonte de sofrimento.
Ela é uma das formas mais básicas de se cuidar — e cuidar de si é também respeitar seus limites sensoriais.
Com paciência, curiosidade e gentileza, é possível ampliar horizontes alimentares sem se violentar.
Porque o objetivo não é comer “como os outros”, mas comer de um jeito que faça bem para você.
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Este blog é baseado na minha experiência pessoal como autista e tem fins informativos e de representatividade. Não é um substituto para o aconselhamento médico ou diagnóstico profissional.
Para questões de diagnóstico e tratamento, consulte sempre um especialista em TEA.
















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