Ensinar uma criança autista a usar um fone abafador pode ser um processo delicado, mas extremamente recompensador.
Esse acessório ajuda a reduzir ruídos incômodos e a prevenir crises sensoriais, oferecendo mais conforto e segurança em ambientes ruidosos.
No entanto, para que o uso seja positivo, é importante introduzir o fone de forma gradual, respeitosa e acolhedora.
Neste artigo, você vai aprender estratégias práticas para ensinar o uso do fone abafador a uma criança autista de maneira leve e eficaz.
Por que o fone abafador é importante?
Muitas crianças autistas têm hipersensibilidade auditiva, ou seja, escutam sons de forma mais intensa do que outras pessoas.
Barulhos comuns — como aspirador de pó, trânsito, música alta ou vozes em locais públicos — podem causar desconforto, irritação e até dor.
O fone abafador ajuda a controlar o volume dos sons, criando uma sensação de proteção e estabilidade sensorial.
Com isso, a criança se sente mais tranquila e confiante para explorar o mundo ao redor.
1. Comece pela familiarização
Antes de colocar o fone na cabeça da criança, deixe que ela observe e explore o objeto.
Mostre o fone, permita que ela toque, segure, sinta a textura e veja como funciona.
Dica: Você pode demonstrar o uso colocando o fone em si mesmo e mostrando que é algo agradável.
O objetivo é que o fone pareça um objeto comum e seguro, e não algo imposto.
2. Use o reforço positivo
Quando a criança aceitar usar o fone, mesmo que por alguns segundos, elogie e reforce o comportamento com algo que ela goste: um sorriso, um abraço, um elogio verbal ou um pequeno prêmio.
O reforço positivo associa o uso do fone a uma experiência agradável, o que ajuda a criar vínculo e aceitação.
3. Respeite o tempo da criança
Cada criança tem seu ritmo.
Algumas podem aceitar o fone rapidamente, enquanto outras precisam de dias ou semanas para se acostumar.
Evite forçar ou insistir.
Comece com períodos curtos de uso — alguns minutos em casa — e aumente gradualmente conforme a criança se sentir confortável.
O segredo está em observar as reações e ajustar o processo conforme as necessidades individuais.
4. Explique o propósito do fone (de forma simples)
Dependendo da idade e do nível de compreensão da criança, explique por que o fone é importante.
Use uma linguagem simples, como:
“Esse fone ajuda a deixar o barulho menor e faz o ouvido descansar.”
Algumas crianças se sentem mais seguras quando entendem que o fone serve para protegê-las, e não para isolá-las.
5. Crie momentos de uso positivo
Associe o uso do fone a situações agradáveis, como brincar, assistir a um desenho ou ler um livro.
Evite apresentá-lo apenas em momentos de crise ou incômodo.
Dessa forma, a criança passa a ver o fone como um aliado para o conforto, e não como uma obrigação.
6. Deixe o fone sempre acessível
Tenha o fone em um local visível e de fácil alcance.
Isso dá à criança autonomia para decidir quando usá-lo.
Permitir que ela escolha o momento de colocar o fone é uma forma de validar suas necessidades sensoriais e incentivar o autocuidado desde cedo.
7. Escolha o modelo ideal
O conforto físico é essencial para o sucesso do uso.
Prefira fones:
- Leves e ajustáveis;
- Com almofadas macias;
- Que não apertem demais a cabeça;
- De cores ou personagens que a criança goste.
Um design atrativo e confortável aumenta as chances de aceitação e uso contínuo.
8. Mostre exemplos positivos
Se possível, mostre vídeos ou imagens de outras crianças usando fones abafadores.
Isso ajuda a normalizar o comportamento e a criar identificação.
Em alguns casos, irmãos, pais ou colegas podem usar o fone junto nos primeiros dias para reforçar o exemplo positivo.
9. Use em ambientes controlados primeiro
Antes de sair para lugares barulhentos, incentive o uso do fone em ambientes conhecidos e tranquilos, como em casa.
Quando a criança já estiver acostumada, comece a introduzir o uso em locais externos — escolas, mercados ou eventos.
Isso reduz o risco de rejeição e torna o processo mais previsível e confortável.
10. Observe sinais de desconforto
Mesmo com todos os cuidados, algumas crianças podem sentir calor ou incômodo com o fone.
Observe sinais como tirar o fone com frequência, cobrir as orelhas ou chorar.
Se isso acontecer, ajuste o tempo de uso ou teste outro modelo.
Lembre-se: o objetivo é trazer conforto, não gerar estresse.
Transformando o fone em um amigo do bem-estar
Ensinar o uso do fone abafador é um gesto de empatia e respeito às necessidades sensoriais da criança autista.
Com paciência, reforço positivo e muito carinho, o fone se torna um instrumento de autonomia e equilíbrio emocional.
Afinal, cada pequeno passo em direção ao conforto sensorial é um grande passo rumo à inclusão e ao bem-estar.
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Este blog é baseado na minha experiência pessoal como autista e tem fins informativos e de representatividade.
Não é um substituto para o aconselhamento médico ou diagnóstico profissional.
Para questões de diagnóstico e tratamento, consulte sempre um especialista em TEA.












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