A autorregulação emocional é a capacidade de entender e controlar as próprias emoções algo essencial para o bem-estar e a convivência social.
No caso das crianças autistas, esse processo pode ser mais desafiador, já que o corpo e o cérebro delas reagem de forma mais intensa aos estímulos sensoriais e emocionais.
Mas, com o apoio adequado e um ambiente acolhedor, é possível ajudá-las a reconhecer, nomear e lidar com suas emoções de maneira saudável.
O que é autorregulação emocional
Autorregular-se significa perceber o que está acontecendo dentro do corpo e adotar estratégias para se acalmar, focar ou expressar sentimentos de modo apropriado.
Por exemplo: respirar fundo quando está irritado, se afastar de um ambiente barulhento ou pedir ajuda.
Para muitas crianças autistas, esses mecanismos precisam ser ensinados de forma explícita, pois nem sempre surgem naturalmente.
Por que é tão importante
A autorregulação emocional ajuda a:
- Reduzir crises sensoriais;
- Melhorar a concentração e o aprendizado;
- Aumentar a autoestima e a segurança;
- Favorecer a convivência social;
- Prevenir ansiedade e frustrações.
Quando a criança aprende a se autorregular, ela se torna mais independente e capaz de navegar pelo mundo com confiança.
Estratégias para desenvolver a autorregulação emocional
1. Ensine sobre as emoções
Ajude a criança a reconhecer o que sente.
Use cartazes com expressões faciais, jogos de emoções ou espelhos para praticar o reconhecimento de alegria, tristeza, raiva e medo.
Diga frases como:
“Você parece bravo. Vamos respirar juntos?”
“Vejo que está feliz! Que bom!”
2. Crie uma rotina emocional previsível
A previsibilidade reduz o estresse.
Estabeleça momentos fixos para descanso, alimentação e brincadeiras.
A criança sente-se mais segura quando sabe o que vai acontecer.
3. Use ferramentas sensoriais
Brinquedos táteis, fones abafadores, almofadas pesadas e garrafas sensoriais ajudam a equilibrar o corpo e reduzir a tensão.
Monte uma “caixa calmante” com esses objetos e ensine a criança a usá-los quando sentir desconforto.
4. Modele comportamentos de calma
As crianças aprendem pelo exemplo.
Quando o adulto demonstra como se acalmar respirando fundo, falando com serenidade, pedindo um tempo — a criança internaliza esse padrão.
5. Identifique gatilhos
Observe quando as crises acontecem.
Ambientes barulhentos? Mudanças na rotina? Cansaço?
Anotar essas informações ajuda a prevenir futuras sobrecargas emocionais.
6. Ofereça opções
Dar escolhas simples aumenta o senso de controle:
“Você quer respirar comigo ou ouvir música?”
Assim, a criança aprende que pode agir sobre suas emoções, em vez de apenas reagir a elas.
7. Valide os sentimentos
Nunca minimize o que a criança sente.
Dizer “não é nada” ou “pare de chorar” invalida a experiência emocional dela.
Em vez disso, diga:
“Eu sei que é difícil. Estou aqui com você.”
Isso cria uma base de confiança para o desenvolvimento emocional.
Atividades que ajudam na autorregulação
- Yoga infantil e alongamentos suaves;
- Música calma ou sons da natureza;
- Brincadeiras de respiração com bolhas de sabão;
- Desenhar emoções com cores diferentes;
- Massagens leves ou brinquedos de compressão.
Essas atividades ensinam o corpo a reconhecer os sinais de tensão e relaxar de forma divertida.
O papel da empatia
O adulto é o principal espelho emocional da criança.
Quando reage com empatia, ensina que todas as emoções são válidas, mas que existem maneiras seguras de expressá-las.
Com o tempo, a criança aprende a confiar em si mesma e a regulação emocional deixa de ser um desafio para se tornar uma habilidade de vida.
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