As palavras têm poder — elas podem acolher ou ferir. Para muitas pessoas autistas, o preconceito e a falta de empatia aparecem em pequenas frases do dia a dia que parecem inofensivas, mas carregam muito peso emocional.
A conscientização começa quando aprendemos a ouvir com respeito e a falar com cuidado. Entender quais frases evitamos é um passo importante para criar um ambiente mais inclusivo e humano.
Por que certas frases machucam
A sociedade ainda tem uma visão muito limitada sobre o autismo. Por isso, muitas pessoas falam coisas que soam ofensivas, mesmo sem intenção.
Essas frases geralmente vêm da falta de informação e da ideia de que pessoas autistas precisam “se encaixar” em padrões de comportamento considerados “normais”.
Mas o autismo não é algo que se “cura” ou “melhora” — é parte da identidade da pessoa. E quando negamos isso com palavras, acabamos negando quem ela é.
1. “Mas você nem parece autista!”
Essa é uma das frases mais comuns — e mais dolorosas. Ela parte da ideia de que existe um “jeito de parecer autista”, o que é um mito.
O autismo é um espectro, e cada pessoa manifesta suas características de forma única. Algumas podem se comunicar com facilidade, enquanto outras têm mais dificuldade, e isso não torna ninguém “mais” ou “menos” autista.
Dizer “você não parece autista” é o mesmo que invalidar a vivência da pessoa.
2. “Todo mundo é um pouco autista”
Essa frase, embora pareça empática, é muito desrespeitosa. Ela minimiza as dificuldades reais enfrentadas por pessoas autistas e ignora que o autismo é uma condição neurológica, não um traço de personalidade.
Podemos ter características parecidas em alguns momentos — como gostar de rotina ou não gostar de barulho —, mas isso não significa estar no espectro.
3. “Você precisa se esforçar mais para se enturmar”
Pessoas autistas geralmente têm dificuldade de socializar não por falta de vontade, mas porque o cérebro processa interações de forma diferente.
Pedir para “se esforçar mais” é como pedir para alguém enxergar sem óculos. A inclusão acontece quando o ambiente se adapta, e não quando a pessoa precisa fingir ser quem não é.
4. “Você é muito inteligente para ser autista”
Essa frase é baseada em estereótipos. O autismo não tem relação direta com o nível de inteligência — existem pessoas autistas com diferentes habilidades cognitivas, assim como em qualquer grupo humano.
Além disso, o fato de alguém ser inteligente não anula suas dificuldades sociais ou sensoriais. Inteligência não “compensa” o autismo — porque ele não é algo negativo.
5. “Isso é só falta de educação”
Muitos comportamentos autistas — como evitar contato visual, não responder imediatamente ou se afastar em locais barulhentos — não são falta de educação, mas formas de lidar com o desconforto sensorial ou emocional.
Julgar sem entender só reforça o preconceito. A empatia exige que a gente olhe além da aparência.
6. “Mas todo mundo passa por isso”
Comparar experiências é injusto. As dificuldades de uma pessoa autista são diferentes e muitas vezes mais intensas. Essa frase invalida o sofrimento e desmotiva quem só queria ser compreendido.
7. “Você já tentou ser mais normal?”
Essa talvez seja uma das frases mais cruéis. Ninguém deveria precisar mudar quem é para ser aceito. O autismo não é algo que se “cura” com esforço — é uma característica que precisa ser respeitada e compreendida.
Como substituir essas frases
Em vez de usar palavras que magoam, podemos escolher frases que acolhem, como:
- “Quer me explicar como posso te ajudar melhor?”
- “Se precisar de um tempo, está tudo bem.”
- “Gosto de aprender com o seu jeito de ver o mundo.”
- “Você é bem-vindo do seu jeito.”
Palavras que demonstram aceitação e escuta transformam as relações.
A importância de ouvir pessoas autistas
Ninguém entende melhor o autismo do que quem vive nele. Ouvir pessoas autistas é essencial para aprender e desconstruir preconceitos.
Cada conversa sincera é um passo a mais rumo a uma sociedade que acolhe em vez de corrigir, que respeita em vez de julgar.
Falar com respeito é um ato de inclusão
Evitar frases que ferem é mais do que uma questão de educação — é uma forma de construir um mundo mais empático.
A verdadeira inclusão começa quando mudamos a forma como nos comunicamos, porque as palavras têm o poder de transformar a vida de quem as ouve.
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