Você já ouviu falar em masking (ou “mascaramento”) no autismo?
Esse termo descreve o esforço que muitas pessoas autistas fazem para esconder seus comportamentos naturais e parecerem “neurotípicas” — ou seja, mais próximas do padrão social esperado.
Embora o masking possa ajudar momentaneamente em certas situações, ele tem um custo emocional enorme.
Por trás do sorriso, da tentativa de parecer “normal” e de agir “como os outros”, há um grande desgaste mental e uma perda de identidade.
O que é o masking
O masking é uma estratégia de adaptação social.
Pessoas autistas aprendem, desde cedo, que seu jeito natural pode ser visto como “estranho” ou “errado”. Então, começam a observar e imitar o comportamento das pessoas ao redor, tentando se encaixar.
Esse processo pode incluir:
- Forçar contato visual mesmo sendo desconfortável;
- Ensaiar frases e expressões antes de conversar;
- Reprimir movimentos repetitivos (stims) em público;
- Rir em momentos esperados, mesmo sem achar graça;
- Evitar falar sobre interesses intensos;
- Copiar gestos e tons de voz dos outros.
O masking é, na verdade, um mecanismo de sobrevivência social.
Mas quanto mais tempo ele é mantido, maior é o impacto na saúde mental.
Por que o masking é tão exaustivo
Fingir o tempo todo ser alguém que não é consome muita energia.
Enquanto pessoas neurotípicas agem naturalmente, uma pessoa autista precisa pensar em cada gesto, cada palavra e cada reação — tudo para evitar o julgamento.
Esse esforço constante pode gerar:
- Ansiedade crônica;
- Exaustão mental e física;
- Dificuldade para relaxar mesmo em casa;
- Perda de identidade (“quem eu sou de verdade?”);
- Depressão e sensação de isolamento.
Muitas pessoas autistas relatam que, após um dia mascarando, precisam de horas sozinhas para “recarregar” — o famoso “autistic burnout”, um tipo de esgotamento extremo.
Por que o masking é mais comum em mulheres autistas
Estudos mostram que mulheres autistas tendem a mascarar com mais frequência do que homens.
Isso acontece porque, culturalmente, espera-se que meninas sejam sociáveis, empáticas e comunicativas — e, quando não são, sofrem maior pressão social para “se adaptar”.
Como resultado, muitas mulheres autistas são diagnosticadas apenas na vida adulta, pois o mascaramento faz com que os sinais passem despercebidos na infância.
Como reduzir o masking e viver com autenticidade
Viver sem máscaras não significa ignorar regras sociais, mas sim permitir-se ser quem você é, sem culpa ou medo.
Algumas formas de começar esse processo incluem:
- Reconhecer o masking
Entender quando e por que você o faz é o primeiro passo para se libertar. - Buscar ambientes seguros
Amigos, grupos de apoio e espaços onde o autismo é compreendido ajudam a reduzir a necessidade de fingir. - Acolher seus stims e necessidades sensoriais
Se balançar as mãos, balbuciar ou evitar contato visual ajuda a regular o corpo, isso é válido e deve ser respeitado. - Procurar acompanhamento psicológico
Um profissional com conhecimento sobre autismo pode ajudar a reconstruir a autoestima e fortalecer a identidade autista. - Praticar o autoaceitamento diário
Celebrar suas particularidades e reconhecer seus limites é um ato de amor-próprio.
O papel da sociedade
A sociedade também precisa evoluir.
O problema não está nas pessoas autistas — está em um mundo que ainda exige uniformidade de comportamento e não entende as diferenças.
A inclusão verdadeira começa quando todos aprendem que respeitar é melhor do que corrigir.
Viver sem máscara é viver com liberdade
Ser autista não é algo a ser escondido.
É uma forma única de sentir, pensar e existir.
Quando uma pessoa autista se sente aceita, o masking deixa de ser necessário — e a vida se torna mais leve, mais autêntica e mais feliz. 💙
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Este blog é baseado na minha experiência pessoal como autista e tem fins informativos e de representatividade. Não é um substituto para o aconselhamento médico ou diagnóstico profissional.
Para questões de diagnóstico e tratamento, consulte sempre um especialista em TEA.
















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