O que é sensibilidade auditiva e como lidar com ela no dia a dia

A sensibilidade auditiva é uma característica que faz com que sons comuns do cotidiano sejam percebidos como altos, incômodos ou até dolorosos. Esse fenômeno é especialmente comum em pessoas autistas, que podem sentir desconforto com ruídos que outras pessoas mal percebem.

Compreender e aprender a lidar com essa sensibilidade é essencial para promover conforto e qualidade de vida.

Entendendo a sensibilidade auditiva

A sensibilidade auditiva, também chamada de hiperacusia, não é um problema de audição — é uma diferença na forma como o cérebro processa o som.

Enquanto o ouvido capta as ondas sonoras, é o cérebro quem interpreta o volume e a importância delas. Em pessoas sensíveis, essa interpretação é mais intensa, tornando sons comuns muito mais fortes e difíceis de suportar.

Alguns exemplos de sons que costumam causar incômodo são:

  • Buzinas, sirenes e alarmes;
  • Aspiradores de pó e secadores de cabelo;
  • Conversas em locais cheios;
  • Barulhos metálicos, como talheres batendo;
  • Música alta em festas ou lojas.

Para quem vive com hipersensibilidade, o som pode gerar não apenas desconforto físico, mas também estresse emocional e fadiga.

Como a sensibilidade auditiva afeta a rotina

Viver em um mundo repleto de sons pode ser cansativo para quem tem o ouvido mais sensível. O corpo e a mente ficam em constante alerta, tentando prever ou evitar ruídos.

Com o tempo, isso pode causar:

  • Dificuldade de concentração;
  • Irritação e ansiedade;
  • Desejo de isolamento;
  • Crises sensoriais em locais barulhentos.

Por isso, é importante desenvolver estratégias para controlar o ambiente sonoro e encontrar alívio quando necessário.

Estratégias para lidar com a sensibilidade auditiva

1. Use abafadores ou fones com cancelamento de ruído

Esses dispositivos ajudam a reduzir os sons do ambiente e oferecem uma sensação de segurança.
Os abafadores são ideais para momentos de sobrecarga, enquanto os fones com cancelamento ativo permitem ajustar o nível de ruído conforme o ambiente.

2. Evite locais barulhentos nos horários de pico

Planejar atividades para horários mais tranquilos, como ir ao supermercado cedo ou caminhar em locais calmos, ajuda a evitar sobrecargas desnecessárias.

3. Crie um espaço silencioso em casa

Reserve um ambiente acolhedor, com iluminação suave e poucos estímulos visuais. Esse “refúgio sensorial” é ótimo para pausas e momentos de descanso.

4. Use sons suaves para mascarar ruídos

Músicas calmas, sons da natureza ou ruído branco ajudam o cérebro a se concentrar em um som previsível, reduzindo o impacto de ruídos inesperados.

5. Comunique as suas necessidades

Explicar a familiares, amigos e colegas que certos sons causam desconforto é uma forma de promover empatia e facilitar o convívio social.

A importância do autocuidado sensorial

Lidar com sensibilidade auditiva exige atenção e respeito aos próprios limites.

Tentar “se forçar” a suportar o barulho apenas aumenta o estresse.

O ideal é reconhecer os sinais de sobrecarga como dor de cabeça, cansaço ou vontade de se isolar e fazer pausas antes que o desconforto aumente.

Como familiares e amigos podem ajudar

  1. Evite sons altos e repentinos perto de pessoas sensíveis;
  2. Reduza o volume da TV e da música quando estiverem juntos;
  3. Ofereça opções de fones ou abafadores em ambientes ruidosos;
  4. Seja compreensivo quando a pessoa precisar se afastar de um local barulhento;
  5. Respeite o tempo de recuperação após uma sobrecarga sensorial.

A empatia é uma das melhores formas de inclusão.

Quando procurar orientação profissional

Embora a sensibilidade auditiva não exija tratamento médico na maioria dos casos, em situações de incômodo extremo é recomendado buscar apoio de um fonoaudiólogo ou terapeuta ocupacional especializado em integração sensorial.

Esses profissionais ajudam a desenvolver estratégias personalizadas para lidar com sons de forma mais equilibrada.

Silêncio como forma de conforto

O silêncio é, para muitas pessoas autistas, um verdadeiro abrigo.

Criar momentos de calma e controlar o ambiente sonoro são atitudes simples, mas que fazem enorme diferença no bem-estar físico e emocional.

A sensibilidade auditiva não é um defeito é apenas uma forma diferente de perceber o mundo.
Com compreensão, apoio e as ferramentas certas, é possível transformar o som em algo que acolhe, e não que incomoda.

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